Habilidades Sociais e Estresse: um estudo com professores do ensino fundamental de escolas públicas

Artigo publicado na Revista Polêmica, v. 12, n. 4, 2013

 

Ângela da Silva Gomes
Acadêmica de Graduação de Psicologia do Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM)

Jaqueline W. Sampaio Pereira
Acadêmica de Graduação de Psicologia do Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM)

Jéssica de O. Viveiros
Acadêmica de Graduação de Psicologia do Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM)

Jorge Mendes
Acadêmico de Graduação de Psicologia do Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM)

Maria Angélica Oliveira Gabriel
Mestre em Psicologia Social pela Universidade Gama Filho (UGF)
Docente e coordenadora do Curso de Psicologia do Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM)
Docente do Instituto de Direito Público (IDP)

Monique Ribeiro de Assis
Doutora em Educação Física pela Universidade Gama Filho (UGF)
Professora do Curso de Graduação e Pós-Graduação da Universidade Gama Filho (UGF)

Rachel Shimba Carneiro
Doutora em Psicologia Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Docente do Curso de Psicologia do Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM)

Tatiane Parrine dos Reis
Acadêmica de Graduação de Psicologia do Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM)

Vera Lúcia P. Nascimento
Acadêmica de Graduação de Psicologia do Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM)

RESUMO

O presente estudo teve como objetivo investigar as habilidades sociais e o nível de estresse de 65 professores do Ensino Fundamental atuantes em escolas públicas do Rio de Janeiro. As habilidades sociais foram avaliadas através do Inventário de Habilidades Sociais (IHS-DEL PRETTE) e o estresse a partir do Inventário de Sintomas de Estresse para Adulto de Lipp (ISSL). As análises estatísticas mostraram que dos 22 professores que apresentam estresse: 8 foram identificados com repertório bastante elaborado de habilidades sociais; 4 com bom repertório de habilidades sociais; 2 com repertório médio de habilidades sociais; 3 com repertório abaixo da média de habilidades sociais e 5 com indicação para treinamento em habilidades sociais. Por outro lado, 43 professores não apresentaram estresse. Dentre esses 43, 26 foram identificados com repertório bastante elaborado de habilidades sociais; 5 com bom repertório de habilidades sociais; um com repertório médio de habilidades sociais; 3 com repertório abaixo da média de habilidades sociais e 8 com indicação para treinamento em habilidades sociais. A partir do teste de correlação linear Pearson, foi verificado uma correlação estatisticamente significante entre o escore total da variável habilidade social e o escore total do estresse. A partir desse estudo, pode-se pensar em programas para professores do ensino fundamental objetivando a prevenção e diminuição da violência, bem como a qualidade nas interações entre professor e aluno com o aumento do repertório de habilidades sociais.

Palavras-chave: Habilidades Sociais; Estresse; Professor.

SOCIAL SKILLS AND STRESS: A STUDY WITH TEACHERS OF ELEMENTARY EDUCATION OF PUBLIC SCHOOLS

Abstract: The present study aimed to investigate the social skills and stress level of 65 school teachers working in public schools in Rio de Janeiro. Social skills were assessed using the Social Skills Inventory (IHS Prette - DEL) and stress from the Inventory of Stress Symptoms of Adult Lipp (ISSL). Statistical analyzes showed that the 22 teachers who present stress: 8 were identified with enough repertoire of social skills; 4 with good social skills; 2 with average social skills repertoire; 3 repertoire with below average social skills and 5 referred for social skills training. Moreover, 43 teachers showed no stress. Among these 43, 26 were identified with enough repertoire of social skills; 5 with good social skills, a medium with a repertoire of social skills; 3 repertoire with below average social skills and 8 referred for social skills training. From the Pearson's correlation test was found statistically significant correlations between the total score of the variable social skills and the total score of stress. Based on this study, it is possible to think of programs for school teachers aimed at preventing and reducing violence, as well as quality in the interactions between teacher and student with the increased social skills.

strong>Keywords: Social Skills; Stress; Teachers.

1 INTRODUÇÃO

A agressão e a violência são fenômenos que têm, tradicionalmente, atraído uma quantidade enorme de pesquisadores, tanto na Europa como nos Estados Unidos e Canadá, que buscam explicar suas causas e efeitos, descrever e mapear sua ocorrência, identificar variáveis, etc. (DEL PRETTE & DEL PRETTE, 2007). Em uma revisão de estudos feita por Del Prette e Del Prette (2003), foi verificado que a questão da violência de fato preocupa e sensibiliza o professor e que estes têm cada vez mais valorizado o desenvolvimento interpessoal, mas admitem dificuldade em promovê-lo. Conforme propõe Matos (1997), um dos maiores problemas dos professores diz respeito a alunos indisciplinados e agressivos, com os quais parece especialmente difícil estabelecer relações interpessoais gratificantes, sobretudo no espaço da sala de aula. Dentro deste contexto, Motta (2011, página 19) afirma:

Considerando que uma educação de qualidade depende de um ambiente pacífico que ofereça condições favoráveis ao ensino e à aprendizagem, os autores do Mapa da Violência 2010: Anatomia dos Homicídios no Brasil (WAISELFISZ, 2010) afirmam que dentre os fatores que podem prejudicar o desempenho de professores e alunos a violência é o mais perturbador. Felizmente, se a violência, nas suas diversas formas, pode afetar negativamente a educação, é certo também que a educação pode ter um impacto considerável no combate à violência.

Em uma revisão feita por Motta (2011), foi encontrado que segundo as recentes estatísticas do Mapa da Violência 2010, em termos de violência, a preocupação com os jovens é a mais urgente, já que o relatório revela, por exemplo, que a taxa de homicídio entre jovens passou de 30 (em 100.000 jovens), em 1980, para 50,1 em 2007, enquanto a mesma taxa se manteve constante, para o resto da população. Diante de tais dados, Del Prette e Del Prette (2007) citam estudos mostrando que a superação e a prevenção dos comportamentos antissociais e agressivos vêm gerando reflexões e propostas que ampliam a função social da escola na atualidade. A educação escolar vem sendo, assim, instada a assumir mais efetivamente a sua função proclamada de formação para a cidadania, o que inclui, além da transmissão de conhecimentos e habilidades acadêmicas, o desenvolvimento de valores, atitudes e habilidades de convivência humana (DEL PRETTE & DEL PRETTE, 2007). Conforme propõe Saint-Onge (1999, apud DEL PRETTE, PAIVA & DEL PRETTE, 2005, página 62-63):

As atuais concepções acerca do significado da ação de ensinar vêm superando a noção de transmissão de conhecimentos que supunha um aluno passivo, redefinindo-se como uma tarefa complexa que envolve orientar, promover e mediar o desenvolvimento de novas capacidades intelectuais e sócioemocionais, necessárias à aprendizagem dos diferentes conteúdos curriculares e ao desenvolvimento mais geral desse aluno. Essa tarefa amplia a antiga ênfase no conteúdo a ser ensinado, para incluir novos objetivos e resultados que dependem, em última instância, das características e da qualidade das relações professor aluno.

De acordo com Soares, Naiff, Fonseca, Cardozo e Baldez (2009), o professor é uma figura essencial para a construção dos saberes e um facilitador das potencialidades humanas. Os autores acrescentam que o conhecimento e domínio do docente são importantes para um aproveitamento real dos alunos, porém há a necessidade de uma terceira força integrante para que haja a promoção efetiva desse aprendizado, que são as habilidades sociais (HS). Nesta perspectiva, o docente que consegue identificar a importância dessa capacidade percebe que o trabalho dele não se resume a apenas expor a gama de conhecimentos e aplicações destes. De fato, as rápidas transformações pelas quais tem passado a sociedade, principalmente a partir do século XX, têm demandado das pessoas não só o domínio de habilidades técnicas, mas também um desempenho socialmente competente para que se tenham relações profissionais e sociais mais satisfatórias, duradouras e gratificantes (FURTADO, FALCONE & CLARK, 2003).

A constatação de que as habilidades sociais estão relacionadas a melhor qualidade de vida, a relações interpessoais mais gratificantes, a maior realização pessoal e ao sucesso profissional (CABALLO, 1991; COLLINS & COLLINS, 1992; GOLEMAN, 1995; ICKES, 1997) vem despertando o interesse de especialistas e multiplicando as pesquisas sobre o tema (DEL PRETTE & DEL PRETTE, 1999). É importante notar que ainda não existe um consenso quanto a uma definição de habilidades sociais. De acordo com Carmona e Melo (2000), não é nada fácil, na vasta literatura sobre o tema, encontrar uma definição única. Para Del Prette e Del Prette (2001), o termo habilidades sociais refere-se à existência de diferentes classes de comportamentos sociais no repertório do indivíduo para lidar de maneira adequada com as demandas das situações interpessoais. De acordo com os autores, as principais classes das habilidades sociais são: habilidades sociais de comunicação; habilidades sociais de civilidade; habilidades sociais assertivas, de direito e cidadania; habilidades sociais empáticas; habilidades sociais de trabalho e habilidades sociais de expressão de sentimento positivo.

Falcone (2001) destaca a importância das habilidades empáticas e de sua vinculação às assertivas para que as interações sociais sejam bem sucedidas. A empatia é entendida como a capacidade de compreender e de expressar compreensão acurada sobre a perspectiva e sentimentos de outra pessoa, além de experimentar compaixão e interesse pelo bem-estar desta (BARRETT-LENNARD, 1993). Após uma revisão de estudos, Burleson (1985) encontrou que as pessoas empáticas que despertam afeto e simpatia, são mais populares e ajudam a desenvolver habilidades de enfrentamento, bem como reduzem problemas emocionais e psicossomáticos nos amigos e familiares. Tais declarações sugerem que os indivíduos empáticos tornam as relações mais agradáveis, reduzindo o conflito e o rompimento (FALCONE 1999). Por outro lado, indivíduos não empáticos parecem carecer de inteligência social e podem se tornar prejudicados no trabalho, na escola, na vida conjugal, nas amizades e nas relações familiares, além de correrem o risco de viver à margem da sociedade (GOLEMAN, 1995).

Já a assertividade é definida como a “capacidade de defender os próprios direitos e de expressar pensamentos, sentimentos e crenças de forma honesta, direta e apropriada, sem violar os direitos da outra pessoa” (LANGE & JAKUBOWSKI, 1976, p. 7), possibilitando bem-estar emocional e aumentando a probabilidade da manutenção de relacionamentos interpessoais saudáveis e duradouros (VILA, GONGORA & SILVEIRA, 2003). Em uma revisão de Falcone (1998), foi verificado que as pesquisas sobre os efeitos do treinamento assertivo têm apontado a ocorrência do aumento da autoconfiança e da realização pessoal, bem como redução da depressão e da ansiedade social.

Seguindo os estudos apresentados acima, Falcone (1999) declara que expressar-se de maneira empática antes de usar a assertividade direta pode minimizar qualquer avaliação negativa potencial da assertividade. Com base nesta proposição, a autora afirma que, em determinados contextos sociais, especialmente quando há conflito, torna-se necessário controlar as próprias emoções e fazer um esforço para compreender e validar os sentimentos e a perspectiva da outra pessoa, antes da manifestação dos próprios sentimentos e perspectiva. Tais considerações sugerem que o sucesso nas relações interpessoais depende da integração das habilidades: empática e assertiva.

Com relação às variáveis que determinam a ocorrência de um desempenho inadequado socialmente, Vila (2005) afirma que podem ser levantadas várias hipóteses. Uma delas considera que as pessoas apresentam déficits em habilidades sociais porque os contextos familiares e sociais não propiciaram condições para a aprendizagem e aprimoramento de tais comportamentos. Os estudos atuais mostram que os desempenhos socialmente inadequados como os antissociais e agressivos são aprendidos, em maior ou menor grau, ao longo do desenvolvimento, nas interações com familiares, amigos, professores e colegas, ou através de programas especiais de educação e psicoterapia (DEL PRETTE & DEL PRETTE, 2007).

É importante ressaltar que os dados vêm mostrando que a escola, por ser um espaço de convívio diário, tem se tornado um lócus de ocorrência de conflitos interpessoais e consequentemente de aumento no nível de estresse dos professores. Atualmente, sabe-se que algumas atividades profissionais expõem o trabalhador a situações que acarretam custos emocionais oriundos do estresse (BORGES, ARGOLO, PEREIRA, MACHADO & SILVA, 2002 apud ROSSETTIi et al, 2008).

De fato, o estresse, nos dias atuais, tem afetado grande parte da população, estando fortemente presente na vida moderna. Em uma revisão feita por Assis, Carneiro e Gabriel (2013), é possível definir o estresse como uma reação complexa composta por mudanças psicofisiológicas que ocorrem quando o indivíduo se vê diante de situações que ultrapassam sua capacidade de enfrentamento. Situações estas que, em se tratando de variáveis relativas ao ambiente profissional, derivam dos estímulos do ambiente de trabalho e exigem do empregado respostas adaptativas; estes estímulos são comumente chamados de estressores ocupacionais. O estresse compreende quatro fases: alerta, resistência, quase-exaustão e exaustão, e os sintomas, tanto somáticos como psicológicos vão se agravando à medida que o estado de estresse se agrava.

Rossetti et al. (2008) citam estudos mostrando que o estresse quando excessivo produz consequências psicológicas e emocionais que resultam em cansaço mental, dificuldade de concentração e perda de memória imediata, bem como crises de ansiedade e de humor. Do ponto de vista físico, possíveis doenças podem surgir pela baixa do sistema imunológico. Essas respostas psicofisiológicas do organismo ocorrem uma vez que, existe uma ligação dos sistemas neurológico, imunológico e endócrino para a realização das funções regulatórias do organismo e controle perante estímulos internos e externos (ROSSETTI et al., 2008).

Todas essas considerações suscitam a seguinte questão: Será que existe uma relação entre habilidades sociais e estresse em professores de escolas públicas?

Enquanto, no contexto nacional, são escassas as experiências e os relatos sobre comportamentos sociais na escola, a literatura internacional apresenta muitas reflexões, propostas e experiências de promoção de habilidades sociais no ensino formal.

2 METODOLOGIA

Foram recrutados 65 professores (25 do sexo masculino e 40 do sexo feminino) de duas escolas públicas, localizadas na cidade do Rio de Janeiro, a partir uma palestra realizada pelos responsáveis da pesquisa com o objetivo de convidar os professores a participarem do estudo.

Para a realização do estudo, foi utilizado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido que teve como objetivo fornecer esclarecimentos sobre a pesquisa, sobre o sigilo em relação aos participantes do estudo e sobre o processo de avaliação. O termo finaliza com uma declaração do professor aceitando participar da pesquisa.

Em relação ao material para a avaliação dos professores, foi utilizado o Inventário de Habilidades Sociais (IHS DE DEL PRETTE & DEL PRETTE, 2001) que foi aplicado para avaliar o repertório social dos participantes. O escore total permite uma primeira avaliação dos recursos e déficits das habilidades sociais do respondente e os escores fatoriais apresentam as áreas específicas, nas quais estas habilidades ou déficits se apresentam. Conforme consta no Manual do Inventário de Habilidades Sociais de Del Prette e Del Prette (2001), propriedades psicométricas desse instrumento apresentam índices de validade, fidedignidade e consistência interna satisfatórios.

Na avaliação do stress foi utilizado o Inventário de Sintomas de Stress de Lipp (ISSL) que fornece uma medida objetiva da sintomatologia do estresse em jovens acima de 15 anos e adultos. Sua aplicação leva aproximadamente 10 minutos e pode ser realizada individualmente ou em grupos de até 20 pessoas. Ele é composto de três quadros que se referem às quatro fases de stress, sendo o quadro dois utilizado para avaliar as fases 2 e 3 (resistência e exaustão). Os sintomas listados são os típicos de cada fase. No primeiro quadro, composto de 12 sintomas físicos e três psicológicos, o respondente assinala os sintomas que tenha experimentado nas últimas 24 horas. No segundo quadro, composto de dez sintomas físicos e cinco psicológicos, marca-se os sintomas experimentados na última semana. No quadro 3, composto de 12 sintomas fisicos e 11 psicológicos, assinala-se os sintomas experimentados no último mês. No total, o ISSL inclui 37 itens de natureza somática e 19 de psicológica. O ISSL foi validado em 1994 por Lipp e Guevara e tem sido utilizado em dezenas de pesquisas e trabalhos clínicos na área do stress. Ele permite realizar um diagnóstico preciso de stress, determinar em que fase a pessoa se encontra e se este stress manifesta-se mais por meio de sintomatologia na área física ou psicológica.

Após a aprovação da presente pesquisa pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UNISUAM em Setembro de 2012, o presente estudo recrutou 65 professores de duas escolas públicas para participarem do estudo.

Em relação a análise de dados, foi criado um banco de dados no programa SPSS, com as informações obtidas no formulário de inscrição (idade, sexo, estado civil, escolaridade e residência), no Inventário de Habilidades Sociais e no Inventário de Sintomas de Stress para adultos de Lipp. Os dados obtidos foram submetidos ao Teste de Correlação de Pearson para avaliar a correlação entre o escore total do Inventário de Habilidades Sociais e o escore total do Inventário de Sintomas de Stress.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Com relação ao nível de estresse, o Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL) mostrou que 23 (35,3%) dos professores apresentaram estresse. Dentre estes, a maioria 19 (60,7%) encontra-se na fase de resistência, enquanto 4 (0,6%) na fase de exaustão.

A partir do Inventário de Habilidades Sociais, pode-se verificar que dos 23 professores com estresse, 36% foram identificados com repertório bastante elaborado de habilidades sociais; 18% com bom repertório de habilidades sociais; 9% com repertório médio de habilidades sociais; 14% com repertório abaixo da média de habilidades sociais e 23% com indicação para treinamento em habilidades sociais, conforme pode ser observado na Figura 1.

Figura 1: Desempenho social dos professores com estresse

fig1

Por outro lado, 43 professores não apresentaram estresse. Dentre os 43 professores, 60% foram identificados com repertório bastante elaborado de habilidades sociais; 12% com bom repertório de habilidades sociais; 2% com repertório médio de habilidades sociais; 7% com repertório abaixo da média de habilidades sociais e 19% com indicação para treinamento em habilidades sociais, como pode ser verificado na Figura 2.

Figura 2: Desempenho social dos professores que não apresentaram estresse

fig1

Diante dos dados apresentados acima, pode-se verificar que a correlação entre habilidades sociais e estresse apresentou significância de 0,968888, através do teste de correlação linear Pearson. O presente estudo mostra uma correlação positiva e significativa entre o repertório de habilidades sociais e o estresse dos professores.

É importante destacar que Furtado, Falcone e Clark (2003) destacam que as habilidades sociais avaliadas através do instrumento utilizado neste estudo enfatizam, em sua maioria, habilidades ligadas à assertividade. Além disso, as autoras citam pesquisas mostrando que o comportamento assertivo exibido por mulheres resulta em avaliações sociais mais negativas que o comportamento idêntico em homens. Nesta linha de raciocínio, Furtado, Falcone e Clark (2003) afirmam que a alta assertividade está relacionada à presença de estresse nas mulheres. Sensível a estas contribuições da literatura, pode-se sugerir que o desequilíbrio entre os gêneros na amostra, que compreende 40 professoras e apenas 25 professores, explica a correlação positiva e significativa entre as habilidades sociais e o estresse dos professores.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os conhecimentos gerados a partir deste estudo podem fornecer subsídios para implantação de Grupos de Reflexão para professores nas escolas objetivando a prevenção e diminuição da violência, bem como a qualidade nas interações entre professor e aluno e a melhoria do desempenho acadêmico. Concluindo, trata-se de um tema em que o material disponível na literatura é escasso, e sobre o qual se observa um número ainda muito restrito de pesquisas empíricas ou publicações científicas de caráter nacional realizadas na área.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSIS, M. R.; CARNEIRO, R. S. & GABRIEL, M. A. O. Avaliação do Estresse em Trabalhadores de um Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro.Conexões PSI, 1 (1), p. 22-34, 2013.
BARRETT-LENNARD, G.T. The phases and focus of empathy. The British Psychological Society, 3-13, 1993
BURLESON, B. R. The production of comforting messages: social cognitive foundations. Journal of Language and Social Psychology, 4, p. 253-273, 1985.
CABALLO, V. E. El entrenamiento en habilidades sociales. Em V. E. Caballo (Org.), Manual de técnicas de terapia y modificación de conducta. Madrid: Siglo Veintiuno, p. 403-471, 1991.
CARMONA, C. G. H. & MELO, N. A. Comunicacion interpersonal: Programa de Entrenamiento en Habilidades Sociales. Santiago: Ediciones Universidad Católica de Chile, 2000.
COLLINS, J. & COLLINS, M. Social skills training and the professional helper. New York: Willey, 1992.
DEL PRETTE, Z. A. P. & DEL PRETTE, A. Habilidades sociais, desenvolvimento e aprendizagem: questões conceituais, avaliação e intervenção. São Paulo: Editora Alínea, 2007.
DEL PRETTE, Z. A. P., PAIVA, M. L. M. F. & DEL PRETTE, A. Contribuições do Referencial das Habilidades Sociais para uma Abordagem Sistêmica na Compreensão do Processo de Ensino-Aprendizagem. Interações, 20, 57-72, 2005.
DEL PRETTE, Z. A. P & DEL PRETTE, A. Habilidades sociais e dificuldades de aprendizagem: Teoria e pesquisa sob um enfoque multimodal. Em: Del Prette, A. e Del Prette, Z. A. P. (Orgs.), Habilidades sociais, desenvolvimento e aprendizagem: Questões conceituais, avaliação e intervenção. (pp. 167-206). São Paulo: Alínea, 2003.
DEL PRETTE, Z. A. P. & DEL PRETTE, A. Inventário de Habilidades Sociais: manual de aplicação, apuração e interpretação. São Paulo: Casa do Psicólogo Livraria e Editora Ltda, 2001.
DEL PRETTE, Z. A. P. & DEL PRETTE, A. Psicologia das Habilidades Sociais: terapia e educação. Petrópolis: Vozes, 1999.
FALCONE, E. M. O. Uma proposta de um sistema de classificação das habilidades sociais. Em: H. J. Guilhardi; M. B. B. P. Madi; P. P. Queiroz & M. C. Scoz (Orgs.), Sobre comportamento e cognição: Expondo a variabilidade (pp.195-209). Santo André: SET Editora, 2001.
FALCONE, E. A avaliação de um programa de treinamento da empatia com universitários. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, 1, 23–32, 1999.
FALCONE, E. M. O. A avaliação de um programa de treinamento da empatia, Tese de doutorado, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998.
FURTADO, E. S.; FALCONE, E. & CLARK, C. Avaliação do estresse e das habilidades sociais na experiência acadêmica de estudantes de medicina de uma universidade do Rio de Janeiro. Interação em Psicologia, 7 (2), 43-51, 2003.
GOLEMAN, D. Inteligência emocional. (Trad. M. Santarrita). Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.
LANGE, A. & JAKUBOWSKI, P. Responsible assertive behavior. Illionis: Ed. Research Press, 1976.
MATOS, M. G. Comunicação e gestão de conflitos na escola. Lisboa: Edições FMH, 1997.
MOTTA, D. C. Avaliação de um programa para o desenvolvimento de empatia em crianças no contexto escolar. Tese de doutorado, Instituto de Psicologia, Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2011
ROSSETTI, M. O.; EHLERS, D. M.; GUNTERT, I. B.; LEME, I. F. A. S.; RABELO, I. S. A.; TOSI, S. M. V. D.; PACANARO, S. V. & BARRIONUEVO, V. L. O Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL) em Servidores da Polícia Federal de São Paulo. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, 4 (2), 2008.
SOARES, A. B.; NAIFF, L. A. M.; FONSECA, L. B.; CARDOZO, A. & BALDEZ, M. O. Estudo comparativo de habilidades sociais e variáveis sociodemográficas de professores. Psicologia: Teoria e Prática, 11 (1), 35-49, 2009.
VILA, E. M. Treinamento de habilidades sociais em grupo com professores de crianças com dificuldades de aprendizagem: Uma análise sobre procedimentos e efeitos da intervenção. Dissertação de mestrado, Programa de Pós-Graduação em Educação Especial, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2005.
VILA, E. M.; GONGORA, M. A. N. & SILVEIRA, J. M. Ensinando repertório alternativo para clientes que apresentam padrões comportamentais passivo e hostil. Em: C. G. de Almeida (Org.), Intervenções em grupos: Estratégias psicológicas para a melhoria da qualidade de vida (pp. 59-81). Campinas: Papirus, p. 59-81, 2003.