Nível de Estresse de Graduandos em Fase de Conclusão de Curso

Maria Angélica Gabriel
Mestre em Psicologia Social pela Universidade Gama Filho (UGF)
Professora de Psicologia do Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM)

Jéssica Santos Souza Camelo
Acadêmica de Psicologia no Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM)

Trayce Bastos Fidelis da Silva
Acadêmica de Psicologia no Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM)

RESUMO

A presente pesquisa teve por objetivo analisar o nível de estresse de alunos de graduação, em um centro universitário da Cidade do Rio de Janeiro, em fase de conclusão de curso. De acordo com Selye (1956) o estresse apresenta três fases ou estágios. Fase de alarme, Fase de resistência e Fase de exaustão. Tratou-se de uma pesquisa quantitativa, que se utilizou do Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL). A amostra foi composta de 132 estudantes voluntários, regularmente matriculados, maiores de 18 anos, de ambos os sexos. Concluiu-se que há percentual significativo de estudantes que se encontram na fase de resistência e exaustão, o que sugere uma iniciativa para intervir na qualidade de vida de estudantes concluintes de cursos de graduação.

Palavras-chave: Estresse; Estudantes; Vida acadêmica; Graduação.

ABSTRACT

This research aimed to analyze the level of stress of graduate students in an university center of Rio de Janeiro City, who are in the course of completion period. According to Selye (1956), stress has three phases or stages: alarm phase, resistance phase and phase of exhaustion. This is a quantitative research, that used the Inventory of Stress Symptoms for Adults from Lipp(ISLL). The sample was composed by 132 volunteers students, regularly enrolled, aging more than 18 years old, of both sexes.
Data analysis concluded that there is a significative percentage of students who are in resistance and exhaustion phase, what suggests an initiative to intervene in quality of life of students on concluding phase of graduation courses.

Key words: Stress; Students; Academic life; Graduation.

1 INTRODUÇÃO

O presente artigo visa analisar o nível de estresse de alunos de graduação que estão em fase de conclusão de curso. Selye (1976 apud MONTEIRO; FREITAS; RIBEIRO, 2007) foi o primeiro cientista a utilizar o termo estresse no âmbito da saúde. Selye observou que muitos indivíduos sofriam de doenças físicas e reclamavam de sintomas parecidos. Tais observações o levaram a investigações científicas com animais e, assim, definiu o estresse como o resultado inespecífico de qualquer demanda sobre o corpo, seja de efeito mental ou somático, e estressor, como o agente ou demanda que provoca reação de estresse, seja de dimensão física, mental ou emocional. Em seus estudos, ele observou que o estresse produzia reações de defesa e adaptação frente ao agente estressor. A partir dessas observações levantadas, ele descreveu a síndrome geral de adaptação (SAG), que pode ser entendida como o conjunto das reações do organismo frente à exposição prolongada do estressor.
A Síndrome de Adaptação apresenta três fases ou estágios. Fase de alarme: O organismo tem uma excitação de agressão ou de fuga ao estressor, que pode ser entendida como um comportamento de adaptação. Nos dois casos, reconhece-se uma situação de reação saudável ao estresse, visto que possibilita o retorno à situação de equilíbrio após a experiência estressante. Fase de resistência: Havendo persistência da fase de alerta, o organismo altera seus parâmetros de normalidade e concentra a reação interna em um determinado órgão alvo, desencadeando a síndrome de adaptação local (SAL). Fase de exaustão: O organismo encontra-se extenuado pelo excesso de atividades. Ocorre, então, a falência do órgão mobilizado na SAL, o que se manifesta sob a forma de doenças orgânicas ( SELYE, 1976 apud MONTEIRO; FREITAS; RIBEIRO, 2007).
Outra fase do processo de estresse que foi identificada por Selye foi a fase de quase exaustão, por se encontrar entre as fases de resistência e exaustão, provocando na pessoa uma sensação forte de esgotamento aumentando a chance de descontrole emocional. É importante lembrar que nem sempre a pessoa passa pelas quatro fases, e só alcançará a fase de exaustão quando o estressor for muito grave e não conseguir se adaptar à situação.
Para Camelo e Angerami (2004), a palavra estresse tem sido muito utilizada e associada a sensações de desconforto, sendo cada vez maior o número de indivíduos que se definem como “estressados”.
O estresse é “um desgaste geral do organismo [...] é causado pelas alterações psicofisiológicas que ocorrem quando a pessoa se vê forçada a enfrentar uma situação que, de um modo ou de outro, a irrite, amedronte, excite ou confunda ou mesmo a faça imensamente feliz” (LIPP,1998, p.10-20 apud CORRÊA; MENEZES, 2002).
O estresse vem sendo tema de grande interesse em diversos âmbitos e seus impactos podem ser verificados em diversos contextos, como no familiar, no social, no acadêmico e na área da saúde. No que se refere ao contexto acadêmico, a fase final da graduação requer atenção quando se constitui em um momento de fortes pressões e cobranças para os estudantes, sendo, portanto, o objeto estudado nesta pesquisa.
Sabe-se que a vida acadêmica aproxima muito mais o estudante das exigências da sociedade no que diz respeito à atuação profissional e cidadã, exigindo a eficiência, eficácia e adaptação às novas situações e o lidar com a pressão e aceitações externas.
Segundo Batista et. al. (1998), o estresse pode influenciar na produção e desempenho acadêmico dos estudantes, pois debilita a capacidade de raciocínio, memorização, motivação e interesse do jovem com relação ao processo ensino-aprendizagem.
Com a proposta de conhecer melhor o nível de estresse de graduandos na fase de conclusão de curso, o presente estudo utilizou o Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp – ISSL – para avaliar o nível de estresse de universitários que estão em fase final de conclusão de curso em um Centro Universitário no Rio de Janeiro. Considerou-se o estado psicológico de estudantes, o estresse emocional, como uma variável relevante nos prejuízos na qualidade de vida do estudante. Dessa forma, o presente estudo investigou o nível de estresse vivido no período de conclusão de curso de graduação em estudantes das áreas de saúde, humanas, exatas e sociais.

2 METODOLOGIA

O presente estudo foi realizado em uma instituição de ensino que funcionam cursos de ciências humanas, exatas, sociais e de saúde, a saber: Administração, Análise e Desenv. de Sistemas, Arquitetura e Urbanismo, Biologia (Bacharelado), Ciência da Computação, Ciências Biológicas (Lic), Ciências Contábeis, Direito, Educação Física (Bac), Educação Física (Lic), Enfermagem, Engenharia Civil, Engenharia Mecânica, Engenharia de Petróleo, Engenharia de Produção, Engenharia Elétrica, Engenharia Química, Estética e Cosmética, Farmácia, Fisioterapia, Gastronomia, Gestão de Recursos Humanos, História, Informática, Jornalismo, Letras - Português/Inglês, Letras Português/Literatura, Logística, Marketing, Nutrição, Pedagogia, Psicologia, Publicidade, Serviço Social, Superior em eventos, Turismo. Para constituição da amostra, selecionou-se um curso de cada área de conhecimento para análise comparativa de resultados. Participaram da pesquisa 132 acadêmicos dos cursos de Psicologia, Nutrição, Serviço Social e Engenharia de Produção. Para participar da pesquisa, os estudantes deveriam estar regularmente matriculados no curso diurno ou noturno, serem maiores de 18 anos e estar cursando o 8°, 9° ou 10° período. Utilizou-se uma pesquisa quantitativa com amostra não probabilística. Por se tratar de pesquisa com seres humanos, o projeto foi submetido ao Comitê de Ética de Pesquisa com Seres Humanos e aprovado sob o número 48745515.5.0000.5235. Os dados foram coletados por meio do Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL). Os escores de cada participantes foi tabulado e os valores médios por grupo de participantes com nível de estresse patológico (resistência e exaustão) e nível de estresse normal (alerta) foram comparados.

3 ANÁLISE DOS RESULTADOS

Em um total de 132 graduandos foram aplicados 33 Inventários de Sintomas de Stress para Adultos de LIPP (ISSL), em alunos do curso de Psicologia - Ciências Humanas, 33 em alunos do curso de Engenharia de Produção – Ciências Exatas, 33 em alunos do curso de Serviço Social – Ciências Sociais, 33 em alunos do curso de Nutrição – Ciências da Saúde, alcançando-se os seguintes resultados:

Tabela 1: Tabela dos níveis de estresse de concluintes

tabela 1

Na análise da Tabela 1, evidenciou-se que no curso de Psicologia dos 33 participantes, 0 estão na fase de alerta (0%), 10 estão na fase de resistência (30,30%), 11 estão na fase de exaustão (33,33%) e 12 estão sem estresse (36,36%). No curso de Engenharia de Produção dos 33 participantes, 0 estão na fase de alerta (0%), 15 estão na fase de resistência (45,45%), 04 estão na fase de exaustão (12,12%) e 14 estão sem estresse (42,42%). Já no curso de Serviço Social dos 33 participantes, 0 estão na fase de alerta (0%), 20 estão na fase de resistência (60,60%), 05 estão na fase de exaustão (15,15%) e 08 estão sem estresse (24,24%). E no curso de Nutrição dos 33 participantes, 0 estão na fase de alerta (0%), 17 estão na fase de resistência (51,51%), 08 estão na fase de exaustão (24,24%) e 08 estão sem estresse (24,24%).

Tabela 2: Tabela de relação das fases do estresse comparativa entre cursos

tabela 2

A partir dos dados obtidos na tabela 2, podemos concluir que no curso de Engenharia de Produção, área de exatas, 42,42% dos alunos não apresentou estresse, seguindo para o curso de Psicologia, área de humanas, com 36,36% dos alunos sem estresse, Serviço Social, área social, com 24,24% dos alunos sem estresse e ainda o curso de Nutrição da área de saúde também com 24,24% dos alunos sem estresse, não havendo nenhum na fase de alerta.
Dos participantes da pesquisa, nota-se na tabela 2 que 60,60% dos alunos do curso de Serviço Social se encontravam na fase de resistência, seguindo para o curso de Nutrição com 51,51%, depois Engenharia de Produção 45,45% e Psicologia com 30,30% dos alunos na fase de resistência.
Evidenciou-se ainda na tabela 2 um percentual na fase de Exaustão, que mostra que o curso de Psicologia tem maior percentual nessa fase com 33,33% dos seus alunos, seguido do curso de Nutrição com 24,24% dos alunos na fase de exaustão, depois, 15,15% dos alunos de Serviço Social e Engenharia de Produção com 12,12% dos alunos na fase de exaustão.
Segundo a tabela 2 é possível notar que a fase de resistência tem a maior frequência entre os pesquisados.
Este foi um estudo exploratório para diagnosticar o nível de estresse em graduandos na fase de conclusão de curso. Conclui-se que a atividade acadêmica, pode ser fonte de estresse. Sendo assim, as universidades poderiam proporcionar atividades de prevenção para os acadêmicos, em relação ao estresse. Também se faz necessário a realização de mais estudos para que possa generalizar os resultados encontrados.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir dos estudos através desta pesquisa, evidencia-se que os níveis de estresse independem do sexo dos alunos e da área que se graduam. Isto é, tanto as mulheres quanto os homens estão suscetíveis, seja qual for à área de conhecimento, aos mesmos níveis de estresse.
Observa-se que o índice de estresse é alarmante em todas as áreas, com um alto percentual de alunos em fase de resistência e fase de exaustão. Os altos percentuais destas duas fases são extremamente preocupantes, pois podem acarretar em consequências que alteram seu estado mental, emocional, social e físico. Tais consequências são fatores seriamente prejudiciais para o acadêmico em fase de conclusão de curso e, uma vez identificado, sugere-se o desenvolvimento de programas para qualidade de vida do acadêmico.
Os últimos períodos de uma graduação podem ser considerados cruciais para a vida da grande maioria dos acadêmicos, uma vez que deve ser considerada uma série de elementos estressores em que esses acadêmicos enfrentam nesta fase. Neste contexto é importante ressaltar a bateria de situações que o colocam à prova e todo o esforço envolvido nessa transição de estudante para profissional. Acredita-se que a eminência de trabalhos de conclusão de curso; o questionamento de seu próprio saber; expectativas após a formação e inúmeras preocupações decorrentes desta transição podem ser fatores estressores relacionados ao alto nível de estresse encontrados em acadêmicos de último ano de curso de graduação, porém exige-se um novo estudo para analisar os fatores estressores e assim promover uma atividade dirigida para diminuição do nível de estresse a partir destes fatores.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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CORRÊA, Sebastião Augusto, and José Ricardo de Melo MENEZES. Estresse e trabalho. Campo Grande: Monografia de Pós-Graduação Lato Sensu, Sociedade Univesitária Estácio de Sá (2002).
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